quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Plural eu, singular nós


Ainda lembro do dia em que te vi pela primeira vez e nesse dia eu já sabia que a paixão platônica seria inevitável. É difícil ver alguém do sexo oposto lendo e não me apaixonar - e aquele livro em suas mãos era um adorno tão lindo. Eu não tinha dúvidas: ler realçava a beleza das pessoas. 
E não importava se eu ia conversar com você um dia, se um dia eu ouviria a sua voz ou saberia o seu nome, eu gostava mesmo era de idealizar você nas minhas melhores imaginações. Gostava de imaginar sua voz, que eu nunca tinha ouvido, lendo os trechos dos meus livros favoritos para mim. Gostava de imaginar sua mão entrelaçada a minha e a gente sorrindo um para o outro. Gostava de imaginar qualquer coisa com você. Eu nunca coube no plural, sempre fui adepta do singular, mas você me fez acreditar que era possível um sujeito composto conjugar o verbo amar. Sem eu perceber você já era o meu enredo, meu clímax e a cada capítulo dos meus sonhos eu rezava para que você não fosse o meu fim.
Eu já tinha escrito muitos capítulos da nossa história quando ouvi sua voz pela primeira vez e naquele momento eu sabia que teria que editar cada trecho que eu já havia escrito, porque sua voz era ainda mais linda do que nas minhas imaginações. Sua voz passou a ser a minha melodia favorita e essa melodia sempre fez meu coração dançar, mas infelizmente o meu coração dançava sozinho na falta de um par.
Seu coração sempre foi um tanto misterioso e nunca quis ter um dedo de prosa com o meu, então meu coração conversava sozinho, cantava e dançava a fim de chamar sua atenção, mas o pobrezinho nunca conseguiu.
Dizem que só atraímos aquilo que somos e talvez esse fosse o preço que eu tinha que pagar por ser apaixonada por romances complexos em que as coisas só dão certo no penúltimo capítulo e no último a protagonista morre. Meu romance sempre seria um verdadeiro drama.
Eu sempre soube que era perigoso trazer o abstrato para a realidade, é extremamente não recomendado concretizar nossas idealizações, mas era tarde para ouvir a razão. Eu já tinha conversado com você, já tinha ouvido sua voz e sabia o seu nome. Eu sabia quem você era mesmo sem saber nada sobre você, e o que era platônico passou a ser real. Mesmo sem eu querer a mutação aconteceu e a paixão virou amor. 
Eu passei a idealizar em palavras esse sentimento também, mas a realidade já era uma intrusa assídua nas minhas poesias e esse amor eu só conseguia rimar com dor. A reciprocidade estava ausente, querer ser plural não era poder. Talvez eu tenha nascido para ser singular e mudar seria incoerente. Ainda assim tentei fazer parte da sua história, mas não era boa o suficiente para nenhum papel. Tornei-me mera figurante. E foi nessas indagações sobre o porquê de te amar, foi nessa de escrever pra não chorar que descobri o que realmente significava o que eu sentia. Aprendi que amor não é aquilo que te completa. Amor é aquilo que te destrói e faz você descobrir que ser pedaços é o melhor jeito de viver.
Embora fosse difícil te ver todos os dias e fingir que esse sentimento não existia, eu não desisti de te amar. Passei a amar em silêncio. Escrever em segredo. Já não publicava meus textos porque o amor que sentia por você era sincero e transparente demais para ser camuflado em palavras cujos significados são indiretos. E era nas entrelinhas que eu despejava tudo o que sentia. Por detrás de cada palavra eu escondia os meus sentimentos. Mas a verdade é que eu já não queria esconder mais nada. 
A história que escrevi pra gente estava monótona demais e entediaria qualquer leitor. Eu queria gritar pro mundo inteiro ouvir o quanto eu amo você e não importava se fossem me chamar de louca, eu nunca tive medo de ouvir a verdade e a verdade é que sou completamente louca por você, mas o cansaço das batalhas verbais sempre me impediu de mudar o rumo do desfecho.
Pausei a escrita da nossa história, porque eu estava sempre diante de um travessão, mas você já não tinha mais nenhuma fala. Você ficou escondido atrás daquela vírgula, porque nunca quis se explicar. Você sempre fora um mistério calado e nunca permitiu que ninguém tentasse te desvendar.
De narradora personagem, passei a ser observadora, mas infelizmente não serei onisciente. Você não me permite saber o que pensa e muito menos o que sente.
O livro está aberto cheio de reticências pra quando você quiser protagonizar, mas guardei-o na estante, porque já não consigo mais ter criatividade e continuar.
Tentei matar tudo o que sinto, mas sou romancista e não serial-killer. Tentei desvendar seus mistérios, mas não sou a Agatha Christie. Então resolvi deixar o amor vivo aqui dentro de mim, simplesmente porque ainda não aprendi a usar o ponto final para escrever o nosso fim.

                                                      - Betina Pilch.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Carta(da) da Razão


Eu não voltaria pra você porque sinto medo. Sinto medo dos seus olhos tristes, eles entristecem toda e qualquer alma, e eu sempre soube o que existia por detrás deles.
Sinto medo das suas palavras, palavras que você nunca fracionou, nunca dosou, sempre transbordou e alagou a vida de quem se aproximava. Suas palavras são dicotômicas, elas podem ser colmadas e confortar, mas também podem ser afiadas e dilacerar até mesmo o mais insensível dos corações. Eu nunca achei certa a forma de você lidar com a vida, mas você nunca me ouviu.
Também sinto medo da sua dor exposta no amor que sente, até mesmo seus melhores sentimentos possuem sofrimento. Você nunca soube ser inteiramente feliz, seu tempero principal sempre fora a melancolia. 
Sinto medo dos seus receios que transformam qualquer chão firme em areia movediça, você vive afundada neles.
Sinto medo da sua loucura, dos seus dramas, dos seus surtos. Eu nunca aceitei ser manicômio e pra ser sincera, você é digna de solitária. Você combina com a solidão, ela veste bem em você. 
Seus silêncios sempre foram gritantes, mas os meus gritos sempre foram silenciosos demais. Você preferiu a melodia de cada pulsar ao invés de me ouvir, e essa melodia sempre me emudeceu.
Eu sinto medo de você, menina. E por isso me libertei. Fui embora, porque seus sentimentos me escravizavam e eu cansei de contraria-los e ganhar chibatadas. Hoje eu já não habito sua mente, fugi para longe, lhe deixei abandonada. Perceba que eu era sua melhor conselheira e desde que te abandonei todas as suas atitudes são erradas.
Seu conselheiro é um psicopata com tendências suicidas e vive caindo no erro de amar. Mas você preferiu ser influenciada por ele ao invés de me escutar.
Me despeço através dessa carta para lhe mostrar o que você fez: não bastou revirar sua vida, me enlouqueceu de vez. 
Era eu que sempre estava, ali, te freando. E agora veja o que estou fazendo: poetizando.
Suas rimas sempre me atormentaram, sempre achei desafinadas, mas você não cansava de entoar. Eu me importava com você, mas passei a te odiar.
E não me venha com sentimentalismos baratos dizendo que o ódio é uma das facetas do amor, porque eu sou racional, feita de teorias valiosas e não sentimentos sem valor. 
É menina, você podia ser genial, mas preferiu ser uma inútil romântica sentimental. 
Adeus, menina doida, adeus. Você preferiu seu coração a mim, e isso gerou o nosso fim. 
Hoje me despeço com muita exaltação. Essas são as últimas palavras daquela que já foi a sua Razão.        

Divagando, só.


E talvez os manicômios de que Alvaro de Campos falava fossem o próprio mundo. E se, hoje, sou digna de camisa de força por amar a sensualidade da dúvida e da indagação ao invés da companhia desses doidos malucos cheios de certezas, que me mandem para a solitária de um hospício. (Em uma sala fechada estarei imune a loucura do mundo e entorpecida apenas com a minha própria loucura. Tendo a solidão como melhor amiga, ouvindo ela cantar o som do silêncio com a mais linda melodia inspirando minhas rimas).
Que eu seja uma louca digna de camisa de força que grite com os médicos questionando o porquê de me prenderem. E não uma doida maluca presidiária de um mundo com pessoas que nada questionam e dizem viver corretamente.
Que eu seja escrava da minha indagação e não dona de uma falsa razão. Que eu seja uma desvairada cheia de dúvidas em minha mente e não uma doida maluca cheia de certezas deprimentes. 
"Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas. Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?" E se eu for a menos certa, que os mais certos não me corrijam.
                                                                                                                                      - Betina Pilch.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Diálogo sobre a felicidade


—  moça, você conhece a felicidade?
—  Uma vez ouvi dizer que a felicidade é um estado durável de plenitude, satisfação e equilíbrio físico e psíquico. Mas de durável eu só conheço a melancolia. E de equilíbrio eu nunca entendi.
—  eu conheci a felicidade. durou pouco tempo. meses pra ser exato. mas sobrevivi. por isso não recomendo.
ela parece vírus, sabe? suga tudo de você. e o que sobra? só isso que você é. tristeza.
—  Não parece boa…
A felicidade sempre foi uma personagem fictícia que eu nunca quis conhecer. Dizem que ela te faz experimentar o gostinho do paraíso e se imortaliza num inferno que lança pelos ares chamas de lembranças.
Parece um tanto demoníaca essa tal felicidade. Um adorno que as pessoas usam para ocultar sua verdadeira essência.
—  você tem total razão. sabe, dizem que o que mais atrai felicidade é o amor, mas sempre duvidei, já que esse sempre rimou perfeitamente com dor. 
— Se a felicidade é uma das facetas do amor, eu não a conheci. Comigo o amor nunca foi dicotômico.Sempre foi clichê e desprovido de poesia. Dizem que não se fazem poemas com uma só rima.
—  felicidade é névoa. é chuva passageira. daquelas finas que a gente pensa que vai refrescar, mas na verdade vai só molhar e fazer subir a aridez da vida, nos dando dor na garganta.
—  Se a felicidade é tão ilusória assim, isso só me confirma quão iludidas as pessoas são. Todos cavalos com rédeas e viseiras, inibidos de visão.
—  sim, felicidade é um corpo estranho em cada retina. não nos adaptamos a ela. pelo jeito a forçamos a fazer parte de nós. tentamos encaixar um circulo em um quadrado. mas é de nós mesmos, almas insatisfeitas. se nosso natural fosse a felicidade, buscaríamos a tristeza como nômades sedentos por água. temos essa ambição de ser algo que não somos, de ter sempre algo que não temos. queremos, não importa se sirva, se encaixa. vai parecer roupa com número maior, que sempre estaremos erguendo, ajeitando pra não cair, mas está na moda e, por mais ridículo que seja, todos querem usar. ser feliz está na moda.
—  Se a felicidade está na moda, o mundo está alienado. Os que não podem ter, morrem sem ter conquistado. Aqueles que conquistaram, deixam-na jogada num lado.
Está na moda vestir essa máscara e ocultar sua verdadeira essência, mas meu amigo, ainda bem que eu nunca fui ligada a tendências.
—  nem eu. minha única tendência é permanecer. mas veja, tem salvadores em cada esquina. tem livros de auto ajuda, sites de relacionamentos, curas, métodos, segredos para a felicidade aos montes. sair na rua é afogar-se no desejo dos outros de ser feliz. de te fazer feliz. e nós, náufragos da melancolia. são as mesmas pessoas que postergam o que tem dentro de si inerentemente. substituem, ou tentam, seu cinza peculiar pelas cores vivas das promessas. felicidade é ignorar? é não pensar? é deixar de lado o que está diante de seus olhos e abrir essa cicatriz no rosto que chamam de sorriso ante tudo o que tenta te fazer esquecer?
—  Ser feliz é essa eterna tentativa frustrada. Tentamos trocar o nosso cinza pelas cores vivas das promessas mesmo sabendo que essas cores sempre desbotam.
Já me deixei iludir, acho que a felicidade quase me pegou uma vez.
Mas hoje, por mais acostumada que eu esteja com o sol, sempre estarei à espera da tempestade. Eu sou cinza, moço. Eu sou cinza. E tudo que é cinza já conheceu a dor de ser incendiado por uma chama. Isso explica os meus traumas.
Tenho medo de tudo que brilha demais, tem cores demais. Por isso sempre coloco minhas mãos em posição de defesa e fecho meus olhos quando a felicidade se aproxima. Porque meu arco-íris moço, é um degradê de cinza.
—  felicidade seria esquecer de mim. eis ai minha impossibilidade de ser feliz. eis nossa impossibilidade de ser felizes. não importa o que tentemos usar pra aliviar. estamos sós. sempre estamos sós.

                                                                                              - Betina Pilch e Hemerson Miranda.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

As cortinas já fecharam


Pensando bem... Não. Não nascemos um para o outro. Eu nunca iria me tornar o que você queria que eu fosse e você nunca iria entender meu sentimentalismo e exagero doce. 
Talvez eu tenha sido doce demais, melada e você enjoou. Mas tudo bem, eu compreendo, acabou.
A gente nunca teve muito a ver. Você curte pop, eu MPB. Eu amo livros, você odeia ler. 
Você sempre apegado ao realismo, a praticidade, ao orgulho, ao individualismo. E eu sempre sonhadora, apegada aos detalhes, complicada, cheia de romantismo. 
Você amante da liberdade, eu presa aos grilhões do amor. Você sempre tão frio e eu cheia de dor. 
Eu tendo que lidar com meus sonhos e com o impossível. Você sem nenhuma ilusão vivendo sua realidade insensível.
Sempre quis experimentar  uma vida sem nenhum tormento, mas minha caixinha nunca foi preenchida com algum sentimento. Sempre gostei sozinha, fiz papel de palhaça. E quem foi o roteirista fez da vida uma piada que já perdeu a graça. 
A protagonista esqueceu o roteiro, você mudou o gênero, o público cansou e a cortina já fechou. 
Ninguém gostou, o público vaiou, a peça foi um fracasso e terminamos sem aplauso.
Talvez tenha sido melhor acabar com esse tal conto de fadas fajuto e infeliz. O que era pra ser um romance virou uma comédia sem fim.
                                                                                                                           - Betina Pilch.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

(Ca)ótico


Ele falava com propriedade, com convicção. 
Ele expunha a sua mente e sua voz tocava o meu coração.
Ele conhecia todas as verdades e eu gostava de crer em suas teorias. 
Ele falava do mundo, da fé, ele explanava a vida.
Ele não era daqui, não parecia ser. 
Nesse mundo ele era um louco e estava começando a me enlouquecer.
Ele esclarecia as minhas dúvidas e confundia as minhas certezas. 
Quem sabe tenha vindo da Lua ou das estrelas.
Daqui ele não era, isso eu sabia. 
Quem sabe fosse um anjo sem asas a iluminar a minha vida.
Luz e trevas ele tinha a oferecer, 
bastava escolhermos qual tipo de cegueira gostaríamos de ter.
A cegueira branca, a cegueira negra, era isso que podia ofertar. 
Tirava e colocava o cisco no olho de quem quisesse o escutar.
Argumentos, discussões, filosofias. 
Ele era um amante do saber e isso me soava poesia.
Enquanto ele ensinava, argumentava e gesticulava palavras criticamente, 
eu nada sabia, o ouvia e o amava poeticamente.
Ele fala, eu escrita.
Ele argumento, eu poesia. 
Ele mestre, eu mera aprendiz. 
Uma ligação sustentada por uma utopia feliz.
Eu atenta a cada detalhe de sua existência. 
Ele perdido em devaneios dentro de sua cabeça.
Uma loucura, uma insanidade, uma confusão intensa.
Naquele momento beleza era só questão de inteligência.
E como rouxinol eu o ouvi cantar: 
voz doce, forte e vibrante, tal como o seu olhar.
Anjos tocando trombetas, orquestras fazendo sinfonia, corais cantando em uníssono não se comparam ao encanto daquela voz ao som do violão. 
Foi no instante que ele cantou que fui tomada pela mais absurda paixão.
Eu viveria mil invernos apenas com o amor por ele aquecendo cada pulsar.
Eu enfrentaria duzentos verões, porque sempre teria sua frieza para me refrescar.
Eu enfrentaria a sépia e o cinza do outono,
pois nele eu me largo, me entrego, abandono. 
Em meio a tantas folhas caídas, uma flor brilharia bem no meio do jardim.
Essa flor se chama amor, um amor que agora habita em mim.
Meu bem, eu te amaria por mais trezentas primaveras,
vivendo com as quimeras desse sentimento.
Mas de todas as estações eu escolhi a que sopra palavras ao vento. 
O menino que pensa. A menina que sente. 
Deixei-me atrair intelectualmente e hoje o amo romanticamente.
                                                                                                                                  - Betina Pilch.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

So far away


Então eu percebi que não era ele que me fazia mal, era eu mesma. Eu ainda não tinha encontrado o equilíbrio, ainda não sabia lidar comigo mesma e precisava aprender a dosar meus sentimentos antes de despeja-los todos de uma vez só na vida do outro. Sempre fui desequilibrada, dessas que metade é intensidade e a outra é exagero. Ou é muito ou é nada. Ou é intenso ou não existe. A ferro e fogo, oito ou oitenta, a verdade é que sempre fui feita de extremos. Percebi que toda vez que desejo o sentimento alheio é porque busco no outro um equilíbrio pra minha vida e é aí que eu erro. Para ser dois, antes, é necessário ser um, e eu sou cheia de ausências. Sou pedaços. Incompleta. Meus vazios transbordam e é por isso que intensifico os meus sentimentos, porque essa é a única parte de mim preenchida. Vivo com a expectativa de que essa partezinha de mim compense as que faltam, mas o que preciso aprender é que não é dessa forma que vou me tornar inteira. Sempre fui um peso na vida das pessoas, na dele não menos. Estava desequilibrando o mundo dele e de estragos já bastam os que eu faço na minha vida. Finalmente compreendi que ele já é completo, ele não possui ausências como eu. Não há necessidade de intensidade porque ele já alcançou o equilíbrio. Ele está pronto para voar. Mas eu sou pesada demais, uma de minhas asas está sobrecarregada de sentimentos enquanto  a outra está livre, sem nada. Eu não queria deixa-lo preso só porque ainda não consigo voar. Por enquanto sou escrava de uma prisão que eu mesma criei. Quem ama não prende, deixa livre e eu o libertei  e o deixei voar com a convicção de que no momento certo ele virá me buscar para voarmos juntos. Mas por enquanto isso não é possível e não quero deixa-lo preso só porque minhas asas são pesadas demais. Amar talvez seja isso: renunciar a própria felicidade em prol da felicidade do outro. Porque o amor é essa mistura de confiança e esperança. A felicidade tem gosto de doação, e eu abdiquei do meu egoísmo, porque finalmente descobri que o amo. 
Ei meu anjo, espero que tenha sorrido. Se sorri daí minha alma, mesmo sem saber, sorri daqui também.    
                                                                                                                            - Betina Pilch.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Quando eu crescer quero ser criança - Por Betina Pilch


Olhar para fora com esperança de enxergar o que habitava seu interior era a sua mania. Mas naquele dia era diferente, tudo parecia novo, e essa novidade era confusa demais para que ela compreendesse.
Ela olhava para a cortina de renda que cobria a janela do seu quarto e tinha a sensação de estar no passado. Aquela cortina, a iluminação... tudo, de repente, lembrava a sua infância. E, por alguns instantes, ela teve acesso aos detalhes daquela mente. A mente daquela menina de seis anos de idade. A menina que ela já foi um dia.
Quão belo era o mundo visto através dos olhos daquela menininha de cabelos cacheados volumosos, de olhos pequenos e lábios grossos. Aquela menininha que detestava pentear os cabelos e ter que perder seu tempo se arrumando para almoçar na casa da avó ou da madrinha, ou para ir à festinha de aniversário da prima. Ela tinha sede de viver. Ela queria brincar. Ela não gostava de perder tempo se arrumando, porque mesmo sendo pequena ela tinha consciência de que ia voltar para casa com os cabelos bagunçados após ter corrido o dia todo e pulado na cama elástica. Ia acabar a festa com a roupa toda suja por ter brincado na terra e com as sandalinhas nas mãos porque seus pés estariam sujos por ela andar descalça o dia todo.
Os adultos eram tão chatos! Nunca entendiam que ela adorava andar descalça na terra. “Vai por o calçado se não você vai ficar doente!” – Eles gritavam toda vez.
Eles não entendiam que era mágico tomar banho de chuva. “Já pra dentro! Você vai pegar um resfriado.” – Ordenavam assim que os primeiros pingos de chuva começavam a cair. Eles eram tão chatos! Que pessimistas rogadores de praga.
Aquela menininha tinha o coração tão bonito, a mente tão inocente, a visão tão simples.
Recordo que uma vez ela levantou da cama e viu seu reflexo na porta do quarto e gritou: “Manhê! Olha isso, meu cabelo tá parecendo um solzinho”. Brava ela continuou olhando seu reflexo na porta, vendo aquele cabelo armado e bagunçado que mais parecia raios de sol iluminando todos os lados. Ela via isso como algo negativo, lembrava dos desenhos que fazia na escola e via que seu cabelo parecia com o sol que ela tanto desenhava. Bateu os pezinhos e gritou: “Por que meu cabelo tá parecendo um solzinho?”.  
Aquela menininha que adorava dançar, andar de bicicleta, roler e patinete. A mesma que se trancava no quarto e ficava horas arrumando o cenário para brincar com as suas bonecas e quando terminava desistia de brincar, porque estava cansada demais. Ou que pegava suas Barbies e ficava criando diálogos sozinha, como se aquelas pequenas bonecas realmente estivessem conversando. E, então, ela passava a tarde toda repetindo antes das falas: “Aí ela disse...” como se fosse a narradora de cada diálogo.
Ela tinha a imaginação do tamanho do mundo e sua criatividade parecia inesgotável.
Ela adorava brincar de escolinha, amava imaginar que era professora. Pegava seu giz, escrevia em seu pequeno quadro dentro da sua casinha de bonecas e passava a tarde ensinando suas bonecas e seus ursinhos.
A pequenina sem preocupações complicadas, a pequenina que vivia intensamente, a pequenina que formou os detalhes da personalidade dessa garota de dezesseis anos de hoje.
Essa garota que sorri ao lembrar da sua infância e que percebe quão bobo é complicar a vida, já que a felicidade habita os pequenos detalhes - tantas vezes despercebidos. Ela sorri, porque aquela menininha de seis anos de idade ainda vive dentro dela. Essa menininha se mostra viva todas as vezes que a garota de dezesseis anos vai descalça à cozinha e ouve o pai gritar: “Vai por já um chinelo menina! Quer ficar doente?”. A menininha brilha dentro daquela garota toda vez que chove e ela sente uma vontade intensa de correr na chuva.
Hoje, aos dezesseis anos, essa garota sente aquela criança brincar em seu coração e gritar: “Ei, você não vai mais ensinar apenas bonecas e ursinhos, você logo vai ensinar gente de verdade!”. E nesse instante a garota se sente feliz ao ter certeza que será professora, ao saber o que cursará na faculdade e prossegue sorrindo ao perceber essa relação entre a menininha que ela já foi e a garota que ela é.
Ela sorri, porque nem tudo está perdido. Aquele medo que ela sentia quando pequena não se concretizaria: “Será que quando eu crescer serei chata igual os adultos?”. Ela não seria uma adulta chata, talvez ela nunca se tornasse uma adulta de verdade, porque enquanto aquela menininha viver dentro dela, ela ainda verá o mundo com seus olhos de criança.
A garota após sentir a menininha pular e dançar dentro dela, levanta e começa a dançar também. Dança ao som de suas músicas preferidas rodando até ficar tonta por todo o seu quarto, assim como fazia quando criança. Roda até ver seus livros se triplicarem diante de seus olhos e sorri, sorri até gargalhar, e nesse momento ela se sente criança de novo. Olha para aquela cortina de renda e agradece por sua mãe nunca ter comprado cortinas novas. Olha para a cor das paredes e agradece por nunca terem sido pintadas com alguma cor diferente. E mesmo aquele quarto não sendo o mesmo quarto de quando ela era criança, ela vê ali detalhes antigos que nunca morrerão. E agradece por ter uma vida tão bonita, tão divertida e tão simples, assim como era há dez anos.
A garota olha pela janela e se sente satisfeita por ter enxergado lá fora tudo aquilo que habitava o seu interior. Se sente realizada por saber que seu interior ainda é bonito, inocente e simples, graças aquela menininha que com muito carinho fez do coração daquela garota um eterno jardim de infância.
                                                                                                                                     - Betina Pilch.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Singelos devaneios


O chão está frio, a parede está úmida devido ao sereno da noite, o céu está escuro, quase negro, e algumas poucas estrelas servem de adornos celestes.
Sentada nesse chão, encostada nessa parede e encoberta pela escuridão, há uma menina admirando cada singelo detalhe e buscando o encanto na imensidão. Ela tem o coração liberto e aberto, em busca constante pela inspiração.
Estou olhando pra ela analisando cada respiração sua. Ela parece tão leve...
Com um caderno no colo e uma caneta na mão deslizando sobre o papel ela parece dançar com cada palavra que ali escreve. Pois essa noite ela resolveu bailar com as letras sob um céu enegrecido encantador.
Hoje ela resolveu ser feliz sem nenhum vestígio de dor.
Enquanto ela abraça as palavras e dança, fico parada olhando-a, atenta a cada movimento seu.
“Ela me reflete.” – Penso sem entender o que estava pensando.
E como se tivesse ouvido aquele meu devaneio ela vem em minha direção e diz: “Ei moça, venha cá dançar também.” E eu lhe pergunto: “Quem é você?” 
“Sou você” – Ela responde prontamente. “Moro dentro de ti. Estou aproveitando a melodia do mundo e dançando a fim de chamar sua atenção. Agora que consegui, dá-me sua mão e vamos nós, corpo e alma, dançar juntas como uma só.”
                                                                                                                            - Betina Pilch.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Descanse em paz, amor


Olá moço, como você está?
Sempre quis que essa pergunta fosse respondida da maneira mais sincera possível. Sempre quis saber como você realmente estava. Mas você é complicado, cheio de camuflagens e mistérios, mistérios que eu nunca consegui desvendar completamente.
Ah, moço! Você sempre viveu em volta de sombras, nunca deixou seus sentimentos expostos, eu nunca pude enxergar o que estava dentro desse coraçãozinho. Mas mesmo não compreendendo o que se passava aí dentro eu o amei, amei cada detalhe seu, amei cada sombra, cada mistério. Amei esse seu coraçãozinho complicado mesmo sabendo que ele nunca foi meu.
É que quando a gente ama, a gente cria esperanças grandiosas, impossíveis, e a razão ligeiramente se oculta. Meu coração sempre bradou mais alto que a razão, e bradava apenas por seu nome.
Mas sabe moço, há momentos na vida que a gente precisa, sobretudo, se amar. Há momentos na vida que precisamos resgatar o amor próprio e alforriar o nosso coração que estava preso ao passado por tanto tempo.
Eu o amei por muito tempo, o tempo nunca foi um empecilho para o meu amor, ele resistiu a todas as dificuldades. Sim moço, o amor que sentia por você era forte, muito forte, mas você nunca se permitiu sentir.
Quero que saiba que minhas palavras sempre foram suas, cada texto sempre foi seu, porque cada palavra que compõe os inúmeros textos que escrevo nasce no coração e são imortalizadas no papel. E você sempre habitou cada partícula da minha fonte de palavras, portanto cada palavra sempre teve um pouco de ti.
Hoje mais uma vez minhas palavras são suas, mas são palavras novas, nada parecidas com os infinitos clichês que já escrevi. Hoje moço, deixarei aqui minhas últimas palavras a você.
Eu nunca imaginei que fosse lhe dizer adeus, que me libertaria das lembranças e de todo sentimento que com todo cuidado e carinho eu cultivei por todos esses anos.
Mas um simples detalhe muda tudo. Um simples detalhe pode ser grande demais. E esse simples detalhe foi forte o bastante para demolir todas as minhas esperanças.
Eu sempre fui muito errada, nunca fiz sentido e sempre estraguei tudo. Eu nunca fui perfeita, mas moço, nem você foi.
Talvez eu tenha sido romântica demais e acreditado que tudo que vivemos foi um conto de fadas, mas infelizmente percebi que o roteiro só estava escrito nas minhas ilusões.
Acreditei que você era o meu príncipe e que eu era a sua princesa, acreditei que apesar de todo o trama para nos manter afastados, o final feliz viria, assim como nos livros e nos filmes que eu já li e assisti milhares de vezes.
Mas não moço, agora eu sei que você não vai voltar. Agora sei que o "felizes para sempre" não existe, pelo menos não para nós.
Hoje incrivelmente o céu está azul e as nuvens estão tão brancas que parecem algodão. Nada de cinza, nada de tempestades, nenhuma dor no coração.
Sim moço, nada de cinza e nada de tempestades. Tanto lá fora como aqui dentro tudo está muito claro e vívido.
Minha despedida não está sendo marcada por gostas salgadas escorrendo por minha face. Minha despedida não está sendo marcada por tristeza, moço. Porque lágrimas e tristeza estiveram presentes quando você ainda habitava em mim e agora que você se foi me restam apenas sorrisos e um coração em paz por finalmente ter se libertado.
Não moço, não irei morrer de amores, porque eu já estive morta por muito tempo. Hoje estou ressuscitando das cinzas, como uma fênix, e finalmente posso enxergar as cores novamente.
Você levou consigo todas as cores do meu arco-íris e espero que faça bom proveito, porque eu finalmente pintei um novo e esse jamais será apagado.
Abro a janela e sinto o ar puro preenchendo os meus pulmões, ao mesmo tempo meu coração se liberta das grades que sempre o prenderam às decepções.
Meu céu nunca teve tantas cores. Meu inverno nunca teve tantas flores. E a partir de hoje moço, meus textos terão menos dores. 
Deixo aqui minhas ultimas palavras a você, mesmo que você nunca tenha lido as primeiras e as tantas outras que já escrevi. Hoje deixo aqui um último texto, mais um texto que não será lido, mais um grito que não será ouvido. Enterro em meio a esse amontoado de palavras todos os sonhos meus... Esse caixão de sentimentos foi aberto com um Olá e agora fecho-o dizendo: Adeus!
                                                                                                                                               - Betina Pilch.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Sinto muito

Sabe moço, hoje está chovendo lá fora, o dia está insuportavelmente frio e minhas mãos estão trêmulas e gélidas. Finalmente o clima e meu corpo estão em sintonia com a minha alma.
Desde que você se foi tudo ficou mais cinza, clichê eu sei, mas eu não poderia deixar de fazer essa comparação. Porque todas as vezes que olho para esse céu acinzentado eu lembro de mim. Você levou consigo todas as cores do meu arco-íris. Hoje, eu sou apenas pedaços de um ser incompleto, minha metade se foi e ninguém mais se encaixa.
Mas sabe moço, eu não quero que você volte. Porque você é como um furacão que chega inesperadamente e devasta tudo que vê pela frente. Te vi ir e voltar tantas vezes que já sei de cor as consequências dessa sua inconstância.
Todas as vezes que você ia embora eu me revezava entre saudade e desespero. Chorava, gritava, me exasperava o dia inteiro.
Você sabe moço, eu sou feita de dramas e sentimentos, porque se for para sentir só um pouquinho eu prefiro nem sentir. Mas você nunca gostou de ser amado, não por mim.
Você nunca gostou do meu amor, você gostava de transformá-lo em dor.
Meu coração se tornou seu playground favorito e quando você se sentia entediado era aqui que você vinha brincar. Você amava, mas amava brincar com as minhas emoções. Mas moço, não me leve a mal, esse playground finalmente está fechado para visitações.
Lá fora a tempestade cai, a chuva escorre do céu e aqui as lágrimas escorrem por minha face, porque sei que todo o sentimento está morto, resolvi escrever cada lembrança em uma lápide.
Hoje moço, eu continuo sentindo, eu sinto muito, mas sinto muito por você... Por você ter deixado todo aquele sentimento tornar-se cinzas de um passado incendiado, um sentimento que era seu, mas você nunca fez por merecer.
                                                                                                                                        - Betina Pilch.

sábado, 25 de maio de 2013

Luz no fim do túnel


Era uma noite sombria lá fora e aqui dentro eu não enxergava nada.
Meu coração estava em coma e minha razão completamente perturbada.
Lembrei que a noite parecia a vida, que de tão mal vivida adoeceu. Percebi que a cegueira me lembrava desse alguém desconhecido que hoje chamo de Eu.
Fiquei tentando encontrar aquele Eu antigo, que havia sido substituído, e agora perdido não podia mais ser encontrado.
Tentei rimar algumas palavras, mas dessa vez até mesmo a poesia havia me abandonado.
Rabisquei alguns clichês: "Saudade, infelicidade" "Escuridão, solidão" "Amor, dor", entre outras rimas que de tão clichês perderam o seu real valor.
Desencantada eu estava com a vida, com o mundo, com tudo.
Aprisionada e sem saída, com medo do escuro, sem escudo.
Sozinha, perdida, desesperada. 
O meu grito havia sido silenciado e a angústia era só o que me restava.
As lágrimas se esgotaram, enfrentei a seca em um deserto gelado.
Os sentimentos bons me abandonaram, tristeza e solidão eram as únicas que permaneciam ao meu lado. 
Em meio a esse degradê de cinza que eu pintei, bem no fundo das memórias o arco-íris eu avistei. Era um colorido vívido, e dos sonhos eu lembrei.
Havia me tornado o clichê mais triste que eu conhecia, mas constantemente sentia saudade daquela alegre menina. 
Quantas vezes ela havia lutado, sido guerreira e enfrentado tantos amores frustrados? Quantas vezes ela havia sorrido, havia pedido para que não desistissem de um conto de fadas, e pelos outros ela havia sonhado?
Comecei a percorrer aquela tortuosa estrada, bradando por aquela menina abandonada. Decidi por fim que iria tentar resgatá-la, por mais difícil que fosse enfrentar essa batalha.
                                                                                                                                      - Betina Pilch.

domingo, 12 de maio de 2013

"Serei sempre eu, as palavras, e o resto é nada mais"


A solidão era sua melhor companhia. Estar consigo mesma era a forma mais agradável de não sentir-se sozinha.
Sua solidão tinha como adornos reflexões, sonhos, sentimentos, lápis e papel. Munida de grafite e uma folha em branco ela viajava por entre as linhas e voava tão alto que conseguia tocar o céu.
Em dias tempestuosos acendia o abajur da esperança e esse brilhava intensamente enquanto o Sol não vinha.
Em dias frios se enrolava no amor por seus sonhos e esse carinhosamente lhe aquecia.
Era uma garota apegada à metáforas e amante do idioma poético, a poesia habitava seu coração, alma e até mesmo seu sistema esquelético.
Romantizava a vida e era apaixonada pelas palavras, e por mais mundos que conhecesse através da leitura, sabia que a escrita era a sua morada.
Talvez fosse tola por depositar suas esperanças em letrinhas aparentemente insignificantes, mas não podia evitar, seu coração era formado por vogais e consoantes.
                                                                                                                                     - Betina Pilch.

domingo, 28 de abril de 2013

Um jardim de tristezas


Hoje eu chorei. E a cada lágrima escorrida eu esperava meu interior se acalmar, a fim de que as dúvidas e incertezas se esvaíssem definitivamente. Uma pena que as lágrimas não tenham relação com a razão. Sentimentos e raciocínio não trabalham juntos, são opostos, inimigos em constante conflito.
Os medos me assombravam a cada gota salgada que encharcava a minha face, me perdi em meio aos devaneios e na tristeza me acomodei.
Nada se compara ao medo de não ter a quem recorrer, ao medo de estar perdida em um labirinto de angústias sem saída. 
Perdida e sem ter para onde ir, sentei em meio ao nada e me pus a vasculhar meus aprendizados. Percebi que quando os sentimentos chegam, eles escravizam a razão sem possibilidade de carta de alforria e minha mente escravizada se amedrontou ao perceber que talvez nunca possa se libertar.
Me tornei mais coração do que razão, mais poesia do que argumentos. Poetizo as entrelinhas de cada neurônio e artéria que se dispõe à loucura de sonhar e sentir. E poetizando a vida, a cada novo verso percebi que minhas rimas se repetem. Eu aprendi a cultivar o clichê e nesse ciclo vicioso não encontrei outra rima para o amor se não dor.
Cheguei ao meu limite, estava exausta de regar o jardim do meu coração na esperança de ver flores já mortas cheias de vivacidade novamente. Mas me apeguei às impossibilidades e ao limpar meu jardim percebi que novos botões de flores haviam chegado, mas eu já não sabia mais como cultivá-los - talvez meu solo não fosse mais fértil.
Não queria que flores tão bonitas morressem, mas eu não sabia mais o que fazer para vê-las desabrocharem.
Fui tomada pelo pavor, fechei meus olhos empurrando as lágrimas para fora, convivendo com as minhas dúvidas, medos e angústias enterrados em meu solo infértil. 
E por fim entendi que a venustidade da vida se encontra na ignorância, no fato de não sabermos de nada por mais certezas que tenhamos. 
                                                                                                                                  - Betina Pilch.

sexta-feira, 1 de março de 2013

"Com licença, eu vou à luta!"


Sonho com um mundo livre de impunidades, em que a educação seja prioridade, e o menos favorecido também tenha seu valor. Sonho com um mundo mais humano, onde o amor seja soberano e os governantes se igualem ao trabalhador.
Sonho com um mundo sem violência, que desperte a inteligência em sua nação. Sonho com uma política transparente, que lute pelo direito da gente, que respeite o cidadão.
Sonho com um mundo melhor em que o jovem tenha um poder maior, sonho com o dia que iremos manisfestar nossa indignação e os nossos brados conseguirão extinguir a corrupção.
Sonho com um mundo em que os líderes cumpram seus deveres e honrem mais aqueles que acreditaram em seu potencial, sonho com o dia que a população cobrará os seus direitos e que transformará a ilusão em algo real.
Sonho com o dia que a imposição perderá a sua voz, e que a conformidade não existirá mais dentro de nós. 
Sonho com um mundo em que o povo exerça seu papel na nação, que não cale a sua voz e que lute pelo que está dentro do seu coração.
Posso ser louca quando sonho, mas prefiro continuar a sonhar, porque os sonhos geram a esperança e a esperança gera forças para lutar.
Aqui imortalizo o desejo de mudança, a desesperada esperança que o mundo vai acordar. Com licença, vou à luta, os meus sonhos estou indo tentar realizar!
                                                                                                                                             - Betina Pilch.  

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Ditadura camuflada.


Democracia ilusionista a nos cegar.
Cegueira derradeira a nos guiar.
Um constituição falha nos sendo imposta.
A tal liberdade pesando em nossas costas.
Um verdadeiro faz de conta nos cercando.
O poder majoritário nos manipulando.
Crentes em uma mentira e devotos do não conhecimento.
O raciocínio humano em constante racionamento.
A escravidão abolida somente na teoria,
escravos do sistema e desconhecedores da sabedoria.
Todos vivemos entre a cruz e a espada.
Eu lhes apresento a atual ditadura camuflada.
                                                                                                       - Betina Pilch.