domingo, 28 de abril de 2013

Um jardim de tristezas


Hoje eu chorei. E a cada lágrima escorrida eu esperava meu interior se acalmar, a fim de que as dúvidas e incertezas se esvaíssem definitivamente. Uma pena que as lágrimas não tenham relação com a razão. Sentimentos e raciocínio não trabalham juntos, são opostos, inimigos em constante conflito.
Os medos me assombravam a cada gota salgada que encharcava a minha face, me perdi em meio aos devaneios e na tristeza me acomodei.
Nada se compara ao medo de não ter a quem recorrer, ao medo de estar perdida em um labirinto de angústias sem saída. 
Perdida e sem ter para onde ir, sentei em meio ao nada e me pus a vasculhar meus aprendizados. Percebi que quando os sentimentos chegam, eles escravizam a razão sem possibilidade de carta de alforria e minha mente escravizada se amedrontou ao perceber que talvez nunca possa se libertar.
Me tornei mais coração do que razão, mais poesia do que argumentos. Poetizo as entrelinhas de cada neurônio e artéria que se dispõe à loucura de sonhar e sentir. E poetizando a vida, a cada novo verso percebi que minhas rimas se repetem. Eu aprendi a cultivar o clichê e nesse ciclo vicioso não encontrei outra rima para o amor se não dor.
Cheguei ao meu limite, estava exausta de regar o jardim do meu coração na esperança de ver flores já mortas cheias de vivacidade novamente. Mas me apeguei às impossibilidades e ao limpar meu jardim percebi que novos botões de flores haviam chegado, mas eu já não sabia mais como cultivá-los - talvez meu solo não fosse mais fértil.
Não queria que flores tão bonitas morressem, mas eu não sabia mais o que fazer para vê-las desabrocharem.
Fui tomada pelo pavor, fechei meus olhos empurrando as lágrimas para fora, convivendo com as minhas dúvidas, medos e angústias enterrados em meu solo infértil. 
E por fim entendi que a venustidade da vida se encontra na ignorância, no fato de não sabermos de nada por mais certezas que tenhamos. 
                                                                                                                                  - Betina Pilch.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Queda Livre


Maldita e bendita insegurança essa que nos persegue em meio aos sentimentos. Sim, maldita e bendita, tão contraditória quanto o amor.
Amor esse que as vezes nos cega e vez ou outra nos faz ampliar os horizontes e ver a vida por ângulos novos, muitas vezes mais belos, mais mágicos.
Magia essa que nos faz ilusionistas da própria mente, que nos desperta sonhos intensos e aparentemente sem possibilidade.  
Impossibilidade essa que nos mantém cautelosos na hora da entrega, mas que pouco a pouco se mostra possível a cada pontinho de esperança cultivado.
Somos inseguros e medrosos por natureza quando vivenciamos sentimentos nascendo dentro do nosso órgão frágil e palpitante, nos apegamos a cautela e ao receio por pena de ver nosso coraçãozinho adquirir novas cicatrizes por culpa de nós românticos intensos e insensatos. 
Esperamos por garantias, mesmo convictos de que a vida é incerta. Vivemos na espera de ter certezas para só então nos entregarmos a uma possibilidade, e dessa forma morremos sem tentar. 
Temos medo de nos entregarmos e não conhecermos a reciprocidade. Porque o amor é como um precipício, e não é todos que curtem a adrenalina de se jogar dele, porque sabemos que as probabilidades de cairmos em queda livre no chão são consideravelmente grandes. E então esperamos por alguém que nos ofereça um paraquedas, uma garantia de que não iremos cair e nos espatifar lá em baixo. E de preferência queremos alguém que nos ofereça o paraquedas, e a sua companhia para pular junto conosco.
                                                                                                                - Betina Pilch.

domingo, 17 de março de 2013

Não deixo-te ir


Não deixo-te ir, mesmo que já tenhas saído da minha vida. 
Não deixo-te ir, e dia-a-dia te vivo em minhas feridas. 
Não deixo-te ir, porque tenho em mim a desesperada esperança de que vais voltar. 
Mantenho em mim a fantasia de que meus delírios vão se concretizar. 
Não deixo-te ir, te aprisiono nas masmorras do meu eu, 
algemado nas grades do meu coração.
Te sinto presente em cada sorriso, em cada erro meu, 
em cada canção. 
Não deixo-te ir, pois és parte de mim, 
és meu tormento sem fim, 
és meu refúgio em meio ao vazio,
és meu subterfúgio para viver. 
Não deixo-te ir, pois lembro de quando sorriu, 
de quando eclodiu o amor 
e de quando soube o lado bom de sofrer. 
Não deixo-te ir porque te amei em cada sofrimento, 
amei cada devaneio, 
te amei a todo momento. 
Não deixo-te ir, mesmo que já tenhas ido, 
mesmo que já tenhas me ferido, 
mesmo sem nunca ter te tido. 
Não deixo-te ir meu querido, 
e te mantenho vivo, 
aqui bem escondido, 
dentro das minhas contradições sem sentido. 
Não deixo-te ir, 
e nunca deixarei, 
pois não existe ex-amor, 
e só eu sei o quanto te amei.
                                                                                                          - Betina Pilch.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Análise de uma mente incompreendida.

Do quadro negro vi imagens psicodélicas se manifestarem. Observei as cores e tentei decifrar tais mensagens: ideais camuflados e incompreendidos se arrastavam naquela dimensão; Pensamentos espalhados e doloridos se dispersavam na escuridão. Uma confusão de neurônios e artérias palpitantes me atormentavam. Perdida em devaneios tolos, em meio a loucura meus sentimentos se deitavam. Adormeci no sono eterno da inconformidade, tinha como sonho indagações e nenhuma verdade. Contrariedades diante de certezas inquestionáveis, complexidade diante de sentimentos cheios de simplicidade. Incompreendida para o mundo e para mim, só tinha conhecimento da minha inquietude sem fim. Uma loucura intensa, uma mente paranormal. Eu possuía apenas a certeza de que nesse mundo não vale a pena ser normal.

sexta-feira, 1 de março de 2013

"Com licença, eu vou à luta!"


Sonho com um mundo livre de impunidades, em que a educação seja prioridade, e o menos favorecido também tenha seu valor. Sonho com um mundo mais humano, onde o amor seja soberano e os governantes se igualem ao trabalhador.
Sonho com um mundo sem violência, que desperte a inteligência em sua nação. Sonho com uma política transparente, que lute pelo direito da gente, que respeite o cidadão.
Sonho com um mundo melhor em que o jovem tenha um poder maior, sonho com o dia que iremos manisfestar nossa indignação e os nossos brados conseguirão extinguir a corrupção.
Sonho com um mundo em que os líderes cumpram seus deveres e honrem mais aqueles que acreditaram em seu potencial, sonho com o dia que a população cobrará os seus direitos e que transformará a ilusão em algo real.
Sonho com o dia que a imposição perderá a sua voz, e que a conformidade não existirá mais dentro de nós. 
Sonho com um mundo em que o povo exerça seu papel na nação, que não cale a sua voz e que lute pelo que está dentro do seu coração.
Posso ser louca quando sonho, mas prefiro continuar a sonhar, porque os sonhos geram a esperança e a esperança gera forças para lutar.
Aqui imortalizo o desejo de mudança, a desesperada esperança que o mundo vai acordar. Com licença, vou à luta, os meus sonhos estou indo tentar realizar!
                                                                                                                                             - Betina Pilch.  

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Lacunas Poéticas.


Esperei te ver voltar no futuro, mas não.
Esperei pelas férias de julho, em vão.
Achei que o inverno esfriaria as memórias, 
passaram-se quatro estações e ainda lembro de nossa história.
O peso das palavras não ditas parecem toneladas,
que carrego nas costas ao caminhar essa tortuosa estrada.
Caminhei sozinha por sua esquina,
percebi o quanto sou uma frágil menina.
Perdida em labirintos de saudades sem fim,
torturo-me e pergunto-me "Por que teve de ser assim?"
Imersa em um mar de dúvidas, imaginando o que poderia ser feito,
tendo que conviver com as lacunas, que você deixou em nosso romance quase perfeito.
- Betina Pilch.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Ditadura camuflada.


Democracia ilusionista a nos cegar.
Cegueira derradeira a nos guiar.
Um constituição falha nos sendo imposta.
A tal liberdade pesando em nossas costas.
Um verdadeiro faz de conta nos cercando.
O poder majoritário nos manipulando.
Crentes em uma mentira e devotos do não conhecimento.
O raciocínio humano em constante racionamento.
A escravidão abolida somente na teoria,
escravos do sistema e desconhecedores da sabedoria.
Todos vivemos entre a cruz e a espada.
Eu lhes apresento a atual ditadura camuflada.
                                                                                                       - Betina Pilch.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Rimas Empoeiradas.


Viver, amar, sofrer.
Sonhar, sorrir, chorar.
Correr atrás da felicidade, fugir da monotonia e da saudade.
Fechar os olhos e descansar sem nenhum pudor.
Não se aventurar, se deixar levar, por esses sonhos de amor.
Se entregar na dose certa, de forma correta, sem se frustrar.
Ter expectativas, ouvir melodias, mas não se apaixonar.
"Porque quem ama sofre" - Uma filosofia de valor.
É como já disse o poeta: "Amor rima com dor." 
                                                                                                             - Betina Pilch.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

"Seja você a mudança que espera do mundo."


Minha voz está confiante exigindo providências, uma legião de inconformados me seguem brandando exigências.
Sorriso nos rostos e olhares ameaçadores, mal começaram a batalha e já se sentem vencedores.
Tem a confiança e esperança como seus fiéis escudos, fazem parte da minoria que querem mudar o mundo.
Gesticulam seus sonhos através de atitudes humanas e solidárias, revolucionam com amor e não com uma rebeldia sem causa.
Não possuem garantias de resultados, mas buscam incansavelmente pelo paraíso dos inconformados. 
Usufruem intensamente de sua liberdade de expressão, acusam a democracia de ser apenas uma mentira, que nos cega, escrita na constituição.
Dão a oportunidade de todos raciocinar, provam que ainda não existe uma lei que nos proíba de sonhar.
Foram contaminados pelo germe da revolta que os instruem a dar o seu melhor, eles tem como principal objetivo convencer que o povo é a força maior.
Me vejo em meio deles sorrindo com satisfação, por saber que naquele momento estou compartilhando da razão e coração. 
Ouço o despertador gritar ao mesmo tempo que a luz do sol começa a se levantar.
Um novo dia começou, o grande dia chegou, está na hora de acordar!
                                                                                                          - Betina Pilch.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Feliz, Feliz Natal.



Lembranças, saudade, esperança.
Magia, paz, alegria.
Cheiro de infância, sonhos de criança.
Desejo de melhoria, busca pela harmonia.
É dia vinte e quatro do mês doze, todos somos movidos por expectativas doces.
Nos reunimos em festa, cultivamos o amor, numa data como esta contemplamos o esplendor.
A hora mágica evidencia nossas fantasias cinderelescas, todos vivenciamos a felicidade e uma euforia gigantesca.
Luzes piscam, enfeites brilham, pessoas gritam "É Natal!"
Abraços surgem até do vento, chegou o tal dia especial.
Presentes distribuídos, sentimentos compartilhados, sorrisos iludidos, todos emocionados.
Mas o princípio dessa data foi esquecido sem nenhum pudor, esquecem de dar as boas-vindas ao nosso Salvador.
A magia vaga cultivada sem nenhum sentido, todos gritam, comemoram, mas esquecem de parabenizar Jesus menino.
O aniversário mais importante comemorado de forma alienada, papai Noel chega evidenciando o comércio e a felicidade industrializada.
Pacotes fechados, presentes embrulhados, um coração em chamas deixando os pontos importantes de lado.
Não muito distante dali Jesus Menino lembra de sua manjedoura e do estábulo em que nasceu e como naquele dia ninguém tem espaço para Ele, e esquecem que Sua vida, para nossa salvação, Ele nos deu.
                                                                                                              - Betina Pilch.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

"(...) Eu te amo, tu não me amas, ele me ama..."


Sonhos desfeitos por uma realidade obscura, sentimentos repugnantes que evidenciam a tortura.
Raios e trovões trazendo um arrependimento, uma mente turbulenta inundada de ressentimento.
Coração transbordando dúvidas e terror, uma onda de náuseas tomando o meu interior.
Atitudes ocas, vazias, e uma onda de saudade crescendo invasiva.
Chances de felicidade desperdiçadas jogadas no lixo, a vontade de recomeço me olha com um olhar fixo.
Auras vermelhas apagadas pelo orgulho e pela inexperiência, três corações sofrendo com a não correspondência.
Uma alma que brada em busca de sua gêmea, um coração confuso digno de pena.
Batidas frequentes que gritam meu nome em silêncio, um interior impiedoso que ignora o sentimento alheio.
Dívidas à pagar criadas pelo egoísmo, fiz do outro um playground e a vida afastou o meu meio sorriso.
Eu te amo, tu não me amas, ele me ama, conjugo o ciclo clichê apenas na esperança de encontrar um "Por que".

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Happy Birthday


A transição de um tempo a outro sempre resulta em uma grande reflexão. Quando chegamos a uma data importante nos vemos olhando saudosos para o passado, fazendo toda uma análise das mudanças ocorridas até então e nos acovardamos ao imaginar o futuro. Tolos mortais que não sabem lidar com o tempo!
Preocupamo-nos com o ontem e o amanhã, mas nunca paramos para valorizar o agora, depositamos nossas expectativas no futuro na esperança de encontrar nele semelhanças do nosso passado e o hoje fica esquecido e guardado na gaveta da inutilidade.
Procuramos encantos no mórbido e no inexistente quando deveríamos dar glória ao nosso presente.
De tanto se preocupar com o ilusório deixamos a vida passar por nossos olhos despercebida, esquecemos que o tic tac do relógio pode ser cruelmente veloz e que sem perceber deixamos as melhores oportunidades para traz.
Muitas vezes a vida coloca o caminho da felicidade em um horizonte fora do nosso foco de visão, mas como estamos constantemente caçando nossas realizações no vago deixamos esse caminho de lado.
Pregamos peças em nós mesmos sem ter consciência, esquecemos de tomar nossos erros como experiências. Permanecemos no erro, não nos damos a chance de percepção do novo, pois nos deixamos aprisionar nesse ciclo vicioso.
Crescemos na expectativa de nos tornarmos adultos o mais rápido possível, e quando essa magia enfim acontece olhamos para traz, desejamos o passado e vemos a nossa infância invisível.
Somos contraditórios por natureza, e por sermos tão fúteis, esquecemos de contemplar a vida e sua verdadeira beleza.
                                                                                                            - Betina Pilch.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Desordem e Regresso


Assassinos de sonhos, agricultores de violência, e a embriaguez de um povo que bebe da sua doce decadência.
União inexistente, egoísmo evidente, epidemia de descasos, um presente imutável.
Capitalismo enaltecido, educação sem importância, desejos falecidos enterrados com a esperança.
Olhos fechados para realidade, salários transbordando do bolso de alguém sem escolaridade. Dez anos estudados sem nenhum valor, o responsável pela vida ganhando menos que um vereador.
O responsável pela formação da inteligência tendo que lidar com a negligência de sua nação, heróis honrados e respeitados que diariamente vêem sua profissão fugindo do caixão.
O quadrado manipulador transformando o intelecto humano em um circo dos horrores, que com seu conteúdo ridicularizado têm soldados cegos como seus fiéis seguidores.
Seguidor alienado desconhecedor da razão, que faz do descaso seu maior adjetivo e tem a insensibilidade como rainha do coração.
Braços fracos sem desejo de conquista, os bosques hoje mortos já foram os mais cheios de vida.
Um país em total desordem e regressão, onde elevam a mão ao peito e cantam o seu hino sem nenhuma emoção.
Um passado sem glórias e um presente sem paz, desonra ao nosso lema e indignos de um futuro perspicaz.
- Betina Pilch.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Injustiça e Julgamentos


Vejo a noite chegar e imersos na escuridão sentimentos fantasmagóricos estão a me esperar.
Já sinto os devaneios correndo uma maratona em minha busca, sei que me encontrarão após a meia-noite mesmo que eu me esconda atrás de uma fortaleza robusta.
Clamo às forças supremas para que me protejam da solidão mental, desejo imunidade diante dessa nostalgia fatal.
Indago os sentimentos torturantes em busca de uma solução, mas tornei-me uma fanática sentimental em constante devoção.
Espero minha face arder com as gotas salgadas que escorrem sadistas, que zombam minhas lembranças por não controlarem  sua sede masoquista.
Dentro dessa penitenciária cheia de pensamentos assassinos e desconhecedores da paz, tenho apenas o sonho como advogado que acusa a razão por abandono de incapaz.
                                                                                                                              - Betina Pilch.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

A Viajante


Pegava a caneta e deslizava aliterações sem sentido em busca de explicações.
Cantava melodias mentalmente tentando espantar suas contradições.
Estranhamente fazia das palavras as peças de um quebra-cabeça infinito, ia formando textos buscando completar a incompletude de seu manso espírito.
Dançava a dança da vida como um pequenino que brinca de ciranda, pois dentro daquela carcaça envelhecida ainda habitava uma ingênua criança.
Não desistia de seus sonhos mesmo quando todos a zombavam por isso, e assim seu caderno era o único ouvinte de todos seus sentimentos submissos.
 Vulcões lagrimais desconheciam a erupção, e os furacões de sorrisos sopravam devastando toda desilusão.
Buscava a felicidade constante em cada fantasia transcrita em seus rabiscos palpitantes, ela era uma aventureira aberta a aventuras literalmente emocionantes.
                                                                                                                    - Betina Pilch. 

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Diamante Precioso


De súbito despertei da cama e desnorteada pus-me a pensar das fenestras:
"Vós que sois o mais querido dos sentimentos pelos mortais, porque me seduz impiedosamente rumo ao delírio e diante do precipício me esperais?
Mentiroso és tu amor! Que me enganas, me enlouquece e me faz presidiária de teus encantos. Que me ilude e faz-me acreditar que caminho rumo ao paraíso, mas coloca um inferno cheio de dores me esperando. Imprevisível és tu amor! Que surge lindamente e desperta em mim a euforia, mas pouco a pouco me apresenta a decepção e ela sem cautela me arranca a máscara da alegria."
Fitava inquieta aquela noite escura sem estrelas no céu, provida de uma lua tão linda, mas encoberta por um véu. Meu interior continuava confabulando, mas minha visão deslocada se prostrava aos céus e não hesitava em ficar admirando.
O brado indignado de minha razão frustrada elevava o tom de voz e me obrigava a escutá-la. Novamente fui tomada por um sentimento de mágoa profunda e sem vida, lembrava-me daquele amor chegando perto da despedida.
Sentia-me impotente diante de minha submissão àquele tenebroso vício: deixava-me cativar e sem perceber meus pés já ponteavam o tal precipício.
Inconsciência maldosa me jogava lá de cima, e risonhamente o tal sentimento querido aparecia. Durante a queda a adrenalina tomava minhas artérias, e meus olhos fechados imaginavam uma felicidade sem qualquer miséria. Eu tomava a forte anestesia de sentimentos utópicos para me poupar, mas ao cair em terra firme a ilusão desaparecia e a dor sadista vinha me abraçar.
Volto, meus olhos piscam e se elevam aos céus, a lua se escondia e já não existia mais o tal véu. A escuridão deu lugar à iluminação, e toda decepção confabulada deu lugar a linda paixão.
Os brados de repente se calaram, o silêncio cantava em meus ouvidos e os passarinhos me olhavam. Não existia mais razão para todas as vivências sofridas pelo coração.
Os sentimentos de angustia e tortura sofreram transformação, os questionamentos me mostraram sua impotência diante de tal situação.  
Incrédula, pasma diante do contraditório, sentia minha boca se abrir e soltar confusos palavrórios: "Estranha sensação de que está tudo mudado, talvez seja o sentimento bruto que está sendo lapidado." 
                                                                                                                   - Betina Pilch.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Princesa Fútil


E lá estava ela, apreciando os sabores da vida, experimentando tudo que seu presente instante lhe oferecia. 
Vivia em seu presente congelado sem se deixar levar pelas ilusões do futuro ou as lembranças do passado.
Enquanto muitas viviam com a cabeça nas nuvens e alimentavam-se do abstrato, lá estava ela com os pés em terra firme mais precisamente em cima de seu salto alto.
Enquanto muitas sonhavam com o tal príncipe encantado chegando de carruagem, ela sonhava com a Channel e um Porsche na garagem.
Porque as que se julgavam intelectuais viviam em seu mundinho de sonhos sem poder torná-lo reais. Olhavam pra garota realista com um olhar pessimista, mas sabiam que era ela a vitoriosa na hora da conquista.
E mesmo com os pés obedecendo a gravidade, ela não deixava de ser meiga e cheia de qualidades. 
Ela era linda, era divertida, e cheia de sensualidade. Ela era a princesa fútil concretizada na realidade.
- Betina Pilch.

domingo, 11 de novembro de 2012

Ciclo vicioso


E de tanto sonhar, me frustrei
e de tanto me frustrar, eu chorei
e de tanto chorar, eu me calei
e por me calar, eu perdi
e por perder, eu sofri
e de tanto sofrer, eu desisti
e por desistir, me revoltei
e por me revoltar, eu insisti
e de tanto insistir, eu amei
e de tanto eu amar, me torturei
e depois de tanta tortura, me cansei
e por me cansar, parei de lutar
e depois da derrota, parei de amar
e por parar de amar, fria me tornei
e por ser fria, me desencantei
e de tão desencantada, parei de acreditar
e por desacreditar, conheci a agonia
e da agonia, nasceu uma melodia
e da melodia, renasceu a esperança
e da esperança, ouvi meu coração de criança
e esse coração de criança começou a gritar
e esse grito me fez despertar
e ao despertar, dentro de um ciclo vicioso me encontrei
voltei ao recomeço, e em meio aos sonhos me deitei.
                                                                                                    - Betina Pilch.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Ah! O amor...


Ah! O amor
Amor platônico, aristotélico, ou socrático
O ilusório, o realista ou o prático
O que enche a alma e esvazia a mente
O amor que a gente imagina e o que a gente sente
O amor maldito e o amor bonito
O que leva ao inferno e o que traz o infinito
O que acelera o coração e gera a euforia
O que dilacera a vida e gera a agonia
Ah! O amor
Com todos os seus sentidos contraditórios
Que gera a emoção e faz  jorrar os palavrórios
Que é a cura e a enfermidade
É o veneno e o antídoto
É o mórbido e a vivacidade
É a ignorância e o senso crítico
Ah! O amor
Um sentimento imprescindível
Gerador de atitudes indagáveis
O sinônimo do impossível
A fonte de lembranças inapagáveis
O sentimento que a gente respira, alimenta-se e padece
O amor que mata. Um sentimento que nunca se esquece.
                                                                                                              - Betina Pilch. 

terça-feira, 6 de novembro de 2012

"She will be loved"


E lá estava ela, escondida em seus aposentos, perdida na solidão e imersa em pensamentos.
Se alimentava do vazio sem pretensões futuras, vivia sua vida sem nenhuma aventura.
Sua alma esfacelada colidiu com a conformidade, nem ao menos se importava com a falta de vivacidade.
Ela via ao seu redor pessoas com coração colmado, sabia que era diferente por ter um interior petrificado.
Apegou-se a vastidão de seu mundo imutável, não sabia se teria um futuro estável.
Por trás dessa armadura cheia de conflitos havia uma garota simples e compreensível.
Nem ela conhecia, havia descoberto, mas dentro do vazio havia um paraíso secreto.
Com um coração batendo sedento de amor, esperando conhecer a tal rima com dor.
Com uma mente opulenta transbordando euforia, desejando tirar a máscara da tristeza e vestir-se de alegria.
A garota sem perspectivas de felicidade tinha uma visão reta da realidade.
Mas ao explorar as curvas dessa imprevisível vida, dentro dessa complexidade interior uma simples menina ela encontraria.
                                                                                                              - Betina Pilch.