sexta-feira, 28 de junho de 2013

Singelos devaneios


O chão está frio, a parede está úmida devido ao sereno da noite, o céu está escuro, quase negro, e algumas poucas estrelas servem de adornos celestes.
Sentada nesse chão, encostada nessa parede e encoberta pela escuridão, há uma menina admirando cada singelo detalhe e buscando o encanto na imensidão. Ela tem o coração liberto e aberto, em busca constante pela inspiração.
Estou olhando pra ela analisando cada respiração sua. Ela parece tão leve...
Com um caderno no colo e uma caneta na mão deslizando sobre o papel ela parece dançar com cada palavra que ali escreve. Pois essa noite ela resolveu bailar com as letras sob um céu enegrecido encantador.
Hoje ela resolveu ser feliz sem nenhum vestígio de dor.
Enquanto ela abraça as palavras e dança, fico parada olhando-a, atenta a cada movimento seu.
“Ela me reflete.” – Penso sem entender o que estava pensando.
E como se tivesse ouvido aquele meu devaneio ela vem em minha direção e diz: “Ei moça, venha cá dançar também.” E eu lhe pergunto: “Quem é você?” 
“Sou você” – Ela responde prontamente. “Moro dentro de ti. Estou aproveitando a melodia do mundo e dançando a fim de chamar sua atenção. Agora que consegui, dá-me sua mão e vamos nós, corpo e alma, dançar juntas como uma só.”
                                                                                                                            - Betina Pilch.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Descanse em paz, amor


Olá moço, como você está?
Sempre quis que essa pergunta fosse respondida da maneira mais sincera possível. Sempre quis saber como você realmente estava. Mas você é complicado, cheio de camuflagens e mistérios, mistérios que eu nunca consegui desvendar completamente.
Ah, moço! Você sempre viveu em volta de sombras, nunca deixou seus sentimentos expostos, eu nunca pude enxergar o que estava dentro desse coraçãozinho. Mas mesmo não compreendendo o que se passava aí dentro eu o amei, amei cada detalhe seu, amei cada sombra, cada mistério. Amei esse seu coraçãozinho complicado mesmo sabendo que ele nunca foi meu.
É que quando a gente ama, a gente cria esperanças grandiosas, impossíveis, e a razão ligeiramente se oculta. Meu coração sempre bradou mais alto que a razão, e bradava apenas por seu nome.
Mas sabe moço, há momentos na vida que a gente precisa, sobretudo, se amar. Há momentos na vida que precisamos resgatar o amor próprio e alforriar o nosso coração que estava preso ao passado por tanto tempo.
Eu o amei por muito tempo, o tempo nunca foi um empecilho para o meu amor, ele resistiu a todas as dificuldades. Sim moço, o amor que sentia por você era forte, muito forte, mas você nunca se permitiu sentir.
Quero que saiba que minhas palavras sempre foram suas, cada texto sempre foi seu, porque cada palavra que compõe os inúmeros textos que escrevo nasce no coração e são imortalizadas no papel. E você sempre habitou cada partícula da minha fonte de palavras, portanto cada palavra sempre teve um pouco de ti.
Hoje mais uma vez minhas palavras são suas, mas são palavras novas, nada parecidas com os infinitos clichês que já escrevi. Hoje moço, deixarei aqui minhas últimas palavras a você.
Eu nunca imaginei que fosse lhe dizer adeus, que me libertaria das lembranças e de todo sentimento que com todo cuidado e carinho eu cultivei por todos esses anos.
Mas um simples detalhe muda tudo. Um simples detalhe pode ser grande demais. E esse simples detalhe foi forte o bastante para demolir todas as minhas esperanças.
Eu sempre fui muito errada, nunca fiz sentido e sempre estraguei tudo. Eu nunca fui perfeita, mas moço, nem você foi.
Talvez eu tenha sido romântica demais e acreditado que tudo que vivemos foi um conto de fadas, mas infelizmente percebi que o roteiro só estava escrito nas minhas ilusões.
Acreditei que você era o meu príncipe e que eu era a sua princesa, acreditei que apesar de todo o trama para nos manter afastados, o final feliz viria, assim como nos livros e nos filmes que eu já li e assisti milhares de vezes.
Mas não moço, agora eu sei que você não vai voltar. Agora sei que o "felizes para sempre" não existe, pelo menos não para nós.
Hoje incrivelmente o céu está azul e as nuvens estão tão brancas que parecem algodão. Nada de cinza, nada de tempestades, nenhuma dor no coração.
Sim moço, nada de cinza e nada de tempestades. Tanto lá fora como aqui dentro tudo está muito claro e vívido.
Minha despedida não está sendo marcada por gostas salgadas escorrendo por minha face. Minha despedida não está sendo marcada por tristeza, moço. Porque lágrimas e tristeza estiveram presentes quando você ainda habitava em mim e agora que você se foi me restam apenas sorrisos e um coração em paz por finalmente ter se libertado.
Não moço, não irei morrer de amores, porque eu já estive morta por muito tempo. Hoje estou ressuscitando das cinzas, como uma fênix, e finalmente posso enxergar as cores novamente.
Você levou consigo todas as cores do meu arco-íris e espero que faça bom proveito, porque eu finalmente pintei um novo e esse jamais será apagado.
Abro a janela e sinto o ar puro preenchendo os meus pulmões, ao mesmo tempo meu coração se liberta das grades que sempre o prenderam às decepções.
Meu céu nunca teve tantas cores. Meu inverno nunca teve tantas flores. E a partir de hoje moço, meus textos terão menos dores. 
Deixo aqui minhas ultimas palavras a você, mesmo que você nunca tenha lido as primeiras e as tantas outras que já escrevi. Hoje deixo aqui um último texto, mais um texto que não será lido, mais um grito que não será ouvido. Enterro em meio a esse amontoado de palavras todos os sonhos meus... Esse caixão de sentimentos foi aberto com um Olá e agora fecho-o dizendo: Adeus!
                                                                                                                                               - Betina Pilch.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Sinto muito

Sabe moço, hoje está chovendo lá fora, o dia está insuportavelmente frio e minhas mãos estão trêmulas e gélidas. Finalmente o clima e meu corpo estão em sintonia com a minha alma.
Desde que você se foi tudo ficou mais cinza, clichê eu sei, mas eu não poderia deixar de fazer essa comparação. Porque todas as vezes que olho para esse céu acinzentado eu lembro de mim. Você levou consigo todas as cores do meu arco-íris. Hoje, eu sou apenas pedaços de um ser incompleto, minha metade se foi e ninguém mais se encaixa.
Mas sabe moço, eu não quero que você volte. Porque você é como um furacão que chega inesperadamente e devasta tudo que vê pela frente. Te vi ir e voltar tantas vezes que já sei de cor as consequências dessa sua inconstância.
Todas as vezes que você ia embora eu me revezava entre saudade e desespero. Chorava, gritava, me exasperava o dia inteiro.
Você sabe moço, eu sou feita de dramas e sentimentos, porque se for para sentir só um pouquinho eu prefiro nem sentir. Mas você nunca gostou de ser amado, não por mim.
Você nunca gostou do meu amor, você gostava de transformá-lo em dor.
Meu coração se tornou seu playground favorito e quando você se sentia entediado era aqui que você vinha brincar. Você amava, mas amava brincar com as minhas emoções. Mas moço, não me leve a mal, esse playground finalmente está fechado para visitações.
Lá fora a tempestade cai, a chuva escorre do céu e aqui as lágrimas escorrem por minha face, porque sei que todo o sentimento está morto, resolvi escrever cada lembrança em uma lápide.
Hoje moço, eu continuo sentindo, eu sinto muito, mas sinto muito por você... Por você ter deixado todo aquele sentimento tornar-se cinzas de um passado incendiado, um sentimento que era seu, mas você nunca fez por merecer.
                                                                                                                                        - Betina Pilch.