segunda-feira, 29 de outubro de 2012

"Verás que um filho teu não foge à luta"?!


Esse mundo hipócrita cansa minha mente, a sociedade baseada no que os olhos não vêem o coração não sente.
Visão falecida para a atualidade, horizonte enfermo focado na mediocridade.
Pensamentos alienados, atitudes sem objetivo, pessoas mentecaptas sem o mínimo de senso crítico.
Enriquecidos de matéria e a cabeça em total miséria. Nadando nesse mar de sensaborias sem saber que o tempero do mundo se tem através da sabedoria.
Sociedade repleta de inconsciência, o futuro da nação em constante decadência. Querendo cobrar direitos sem saber lutar por tais, vivendo de influência e esquecendo os ideais. Sobrevivendo de fiúza, enganando a si mesmos, não querem levantar a voz, mas esperam o grito alheio.
Minha mente invectiva hoje brada por socorro, esperando ver a vida de um jeito mais risonho.
                                                                                                                             - Betina Pilch.

sábado, 27 de outubro de 2012

Saudosa Infância


Oh tu pequena criança que sonhas em ser gente grande: Esqueça esse delírio e aproveite seu presente instante. Saibas que de grande já basta esse lugar injusto, e que aos olhos de um adulto o encanto do mundo se torna obscuro.
Ouça um conselho de quem já cresceu: cultive tua inocência e todos os sonhos que escolheu.
Colha os frutos de sua mágica infância e perceberás que nada é mais feliz que a vida de uma criança.
Não queiras abortar a pureza de sua vida, brinque o dia inteiro, aproveite cada esquina.
Brinque de pique-pega, esconde-esconde ou polícia e ladrão, nada é mais prazeroso que essa emoção.
Quem me dera poder brincar sem me preocupar com a hora, viver minha vida sem ter que dedicá-la a uma mera prova.
Invejo-te pequenino que sabes a dor de ralar os joelhos e vê-los sangrar, queria eu ter tais feridas apenas no corpo, em troca de ver minha alma sarar.
                                                                                                                               - Betina Pilch.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Criticamente Nacional


"Brasil, um sonho intenso, um raio vívido, de amor e de esperança à terra desce..."
E com o tempo nada se cultiva, tudo se esquece.
Essas palavras penetram em minha alma como um lampejo de revolta. O que fazer com essa gente que esquece seus sonhos e se acomoda?
Deitados eternamente no berço do comodismo adormeceram na alienação e esqueceram o patriotismo.
Vivo na tal terra adorada, na tal pátria amada, como "mãe gentil" denominada, e hoje por seus filhos totalmente desonrada.
Aposto no sol da liberdade como uma forma de esperança, mas a pátria e suas acinzentadas sombras da ignorância fazem da mente alheia uma presidiária sem fiança.
Ouço um grito estridente e me pergunto se alguém despertou, mas foi só o meu interior sozinho que nenhum companheiro encontrou.
Eu que não sei o que faço, o que penso, ou para onde vou, me pergunto para onde foi aquele povo que veria sua pátria ficar livre ou... é, acho que o tempo as matou.
Olho indignada para o lábaro que ostentas estrelado, e chego a conclusão que talvez eu ainda espere pelo brado retumbante desse tal povo heroico honrado.
                                                                                                                               - Betina Pilch.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Dead Dreams


Ela era uma garota complicada que se aventurava em um mundo ilusório. Pegava carona em seu subconsciente e viajava loucamente para a cidade dos sonhos.
Logo era recepcionada por seu príncipe, e nesse reino das fantasias adorava ser chamada de princesa.
Sim, seus sonhos eram cheio de venustidade, sua esperança era frondosa, por conseguinte tinha expectativas impossíveis.
De sonhos ela vivia e com a decepção diariamente convivia, pois bastava ela acordar para se deparar com a monstruosidade da realidade. Com o tempo ela foi se frustrando, se aventurou com um falso príncipe e assim ignorava todos os outros rapazes com medo de eles serem apenas sapos.
Diante da falta de reciprocidade do mundo para com seus sonhos, constantemente reclamava da vida, pois ela queria acordar desse pesadelo real e voltar para seus sonhos ilusórios.
Ela apostava toda sua esperança no futuro, mesmo esse sendo incerto.
Suas expectativas começaram a perder a força, e naquele poço inesgotável de ilusões, seus sonhos se encontravam bem ao fundo.
Para ela uma vida sem sonhos era torturante, e diariamente ela começou a se torturar.
Ainda havia esperança, sim, ela esperava pelo seu príncipe que a faria protagonizar um conto de fadas, e com um beijo ressuscitaria todos aqueles sonhos perdidos com o tempo. Mas ela apostou todas as suas esperanças no tal futuro incerto, e em seu presente, agora ela era apenas uma princesa com sonhos mortos. 
                                                                                                                               - Betina Pilch.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Recém Nascido


Como quem desperta de um longo coma sem saber quanto tempo ficou nesse estado, assim eu me sentia. Era como se eu tivesse acabado de acordar e consequentemente sentisse minha mente desnorteada. De repente me encontrava naufragada em um mar de pensamentos contraditórios e sem sentido. Procurava eu entender o mistério de tais pensamentos confusos que me inquietavam a cada milésimo de segundo que se passava.
Já havia um tempo que o meu eu interior bradava para que, o meu eu exterior conjugasse o verbo mudar com a intensidade de quem respira após sair de um afogamento, mas minha razão era como um bloqueio para a concretização da minha revolta. Criei minha concepção de certo em um lugar onde todos me julgavam errada. Eu que sempre quis mudar o mundo me apegava a filosofias baratas que encalacravam como manchas em minha mente perturbada. E de tanto pensar era só isso que eu sabia fazer.
Deparava-me confabulando com Fernando Pessoa enquanto ele se perguntava "Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?" E a vontade de matar todos os meus ideais até aqui construídos e gerar novos completamente diferentes se tornava cada vez mais intensa.
Mas eu me acovardava quando pensava em concretizar todos os tais pensamentos. Eu precisava de um basta! Sim, precisava reconstruir minha mente, apontá-la para novos horizontes, a fim de que esse em que me encontro hoje fosse redescoberto como algo inédito. Porém o tempo passava e eu era obrigada a perceber que a mudança mais intensa que eu havia concretizado se encontrava no aumento de açúcar em meu café amargo.
Eu que sempre quis revolucionar me sentia de mãos atadas pela falta de coragem. Do que adianta a razão quando ela serve apenas de empecilho para o sonho?
Quem me dera poder mergulhar num mar de loucuras inconsequentes e realizar todos os meus sonhos impossíveis!
Naufragada em um mar de mesmice eu esperava pela guarda - costeira que me salvaria, mas eu sentia minha respiração diminuir, a água tomava o lugar do ar em meus pulmões, e nenhum sinal de ajuda. Sem colete salva-vidas minha vida ia se perdendo, até que um lapso de luz surgiu diante de meus olhos quase fechados. Seria o tal barco da guarda - costeira? Ou eu estaria delirando, me entregando a morte?
Não! Eu tinha medo de ser covarde. Era uma luz criada por minha mente, finalmente eu tinha encontrado o benefício da razão. E a vontade de mudar o mundo e revolucionar ideais renasceu e começou a fazer sentido. E da inquietude dos meus pensamentos, nasceu esse blog, que hoje é o meu brado mais histérico transcrito em meras e vitoriosas palavras silenciosas.