segunda-feira, 10 de novembro de 2014

(V)ida – Por Betina Pilch

(pode ser lido ao som de "A Thousand Years" - 

Há alguém aí? Por favor... Alguém pode me ouvir?
Minhas lágrimas também possuem voz. Será que alguém por aí consegue interpretá-las?
Está doendo tanto... Será que alguém sabe como fazer parar de doer?

"Socorro! Alguém me ajude!" É tudo que consigo sussurrar em meio aos soluços, tremores e espasmos da minha alma cansada de lutar para se manter viva. Mas não há alguém. Nem nunca haverá. Ninguém aparece para responder a minha prece. Estou sozinha. Com medo. Apavorada... E despedaçada também. Minhas asas foram cortadas, já não consigo mais voar. Meu coração está quebrado, inibido de amar. 

Para onde mandam as pessoas que já não servem pra mais nada? Deve haver algum lugar para o qual fui destinada, porque até agora nunca me senti em casa. Talvez eu não pertença a lugar nenhum... Mas, então por que me jogaram nesse mundo sabendo que eu iria ficar perdida, me sentindo um imenso nada?

Perdida, partida, ferida. Onde tem ida sempre dói.  
Tem sido difícil, quase impossível viver. Até a vida tem ida, deve ser por isso que ela é tão dolorida. Não é a toa que viver rima com sofrer.

Quão alto eu preciso gritar para que ouçam meu apelo e me tirem daqui? Minha alma já não brada o bastante? O mundo está surdo ou indiferente a minha dor?
Já não cabem mais cicatrizes em mim, então, por favor, eu imploro, me carreguem para o fim. Eu só quero que isso acabe. É pedir demais?

Já não há mais cor em minha face, porque as lágrimas apagaram qualquer vestígio do que foi pintado aqui um dia. Só me resta minha eterna palidez cadavérica que me remete a morte todas as vezes que encaro o espelho e sou obrigada a lembrar quem eu sou: um amontoado de tudo aquilo que se transmutou em nada.

Não aguento mais. Estou esgotada. E a cada arcada da vida para a marcha fúnebre ser tocada eu me sinto aniquilada e não há orquestra que consiga fazer um concerto em mim.

A verdade é que já morri faz tempo e não haverá ressurreição. Fiz do meu eu um eterno caixão de sentimentos mortos e me enterrei no triste velório que vida armou pra mim. E agora os fantasmas daquilo que eu já fui um dia olham para a menina que se foi e choram, porque nunca houve despedida e, mesmo assim, a partida aconteceu.
Enfim eu percebo que não há mais volta para quem deu as costas para vida, porque o oposto dela é a morte e quem se vira para fugir das feridas, na verdade, já morreu.
                                                                                            
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